Sete cristãos congoleses foram mortos em ataques de grupo militante islâmico no leste da República Democrática do Congo nos dias 10 e 11 de novembro. Membros das Forças Democráticas Aliadas mataram seis cristãos, incluindo o reverendo Kausa Kaule Yosua e sua filha em duas aldeias perto de Beni, no nordeste do país. Eles também sequestraram 13 pessoas, entre eles o reverendo Josias Kapanga Katembo, da aldeia de Boyikene, cujo corpo foi encontrado mais tarde em uma floresta, elevando o número de mortos para sete.

O ataque começou na noite do dia 10, quando militantes chegaram em Mayimoya, a 45 km da cidade de Beni, onde invadiram o complexo da igreja e casas vizinhas de cristãos.

“Às dez da noite, eles [os militantes] entraram na casa do pastor e atacaram a filha com facões. Quando ela começou a gritar por socorro, seu pai saiu para ver o que estava acontecendo e resgatá-la. Eles o mataram e depois a mataram também. Um de seus netos continua desaparecido”, disse um líder da igreja na vizinha Eringeti à fonte do World Watch Monitor.

“Eu estava em minha casa quando eles atacaram”, disse um sobrevivente. “Da minha janela eu podia ouvir os agressores discutindo que a área onde operam pertence aos muçulmanos e não aos cristãos, e que todo cristão encontrado nela é um inimigo”, compartilhou.

No ataque, três crianças também foram mortas, duas ainda não foram identificadas e sete cristãos ainda estão desaparecidos.

No dia seguinte, 11 de novembro, o pastor Josias Kapanga Katembo, de 44 anos, foi sequestrado juntamente com seus dois filhos e três outros membros de sua igreja. A esposa do pastor Katembo, Rebecca, de 34 anos, também foi morta ao tentar fugir quando militantes atearam fogo em sua casa. O paradeiro de seus outros quatro filhos ainda é desconhecido.

Um líder da igreja em Beni disse à fonte do World Watch Monitor que os agressores não queimaram as casas dos muçulmanos em Boyikene: “Ao lado da casa do pastor e a de outro cristão fica a casa de um muçulmano. Os atacantes pularam a casa, incendiando apenas as que pertenciam aos cristãos”.

A violência fez com que civis fugissem da área. Alguns até fugiram para Uganda, país vizinho. “Por favor, orem para que Deus nos ajude , disse o porta-voz de uma ONG cristã local que cuida de pessoas deslocadas na cidade de Oicha.

O exército congolês, apoiado por forças da ONU, lutou contra o grupo Forças Democráticas Aliadas em uma ofensiva perto da cidade nos dias 14 e 15 de novembro, mas sete soldados da ONU e 12 soldados congoleses foram mortos. A Organização Mundial da Saúde também teve que suspender as atividades em resposta a um grande surto de Ebola na área.

Nas últimas duas décadas, o movimento rebelde nascido em Uganda criou raízes e foi responsabilizado por mais de 2.500 mortes de civis em três anos no leste da República Democrática do Congo.

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Fonte: Portas Abertas