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News→Saúde→Brasileiros testam novo remédio barato contra Alzheimer
Imagem: Westend61 / Getty Images

Brasileiros testam novo remédio barato contra Alzheimer

Estudo com camundongos mostra eficácia de molécula que reduz placas de beta-amiloide e melhora sintomas do Alzheimer

Por Redação 100.9
07 de Novembro de 2025 às 16:00

Uma equipe da Universidade Federal do ABC (UFABC), localizada em São Paulo, está à frente de uma descoberta promissora no combate ao Alzheimer. Um novo composto químico desenvolvido pelos pesquisadores tem o potencial de oferecer um tratamento de baixo custo para a doença, proporcionando novas perspectivas para terapias mais acessíveis.

O estudo, que foi publicado na revista ACS Chemical Neuroscience em agosto, envolveu uma série de experimentos, incluindo simulações por computador, testes em células (in vitro) e em animais (in vivo), com resultados que demonstraram grande potencial.

O composto, que tem a capacidade de degradar placas de beta-amiloide no cérebro, pode ser um avanço significativo no tratamento do Alzheimer. Essas placas, formadas por fragmentos do peptídeo amiloide, se acumulam entre os neurônios, provocando inflamação e interrompendo a comunicação entre as células nervosas.

A grande inovação do composto desenvolvido pelos cientistas brasileiros está no seu mecanismo de ação: ele atua como um quelante de cobre. Em outras palavras, ele se liga ao metal cobre presente em excesso nas placas de beta-amiloide, ajudando a degradá-las. Das dez moléculas que foram inicialmente sintetizadas, três passaram por testes em camundongos com Alzheimer induzido. Dentre essas, uma se destacou por sua eficácia e segurança.

Nos testes realizados com os roedores, o composto não apenas demonstrou reduzir a perda de memória e a dificuldade de orientação espacial, como também teve efeitos positivos sobre os déficits de aprendizagem. A substância também contribuiu para a diminuição de marcadores de neuroinflamação e estresse oxidativo no hipocampo, a região do cérebro ligada à memória. Além disso, o equilíbrio de cobre na área cerebral foi restaurado, um fator fundamental no tratamento da doença.

Outro ponto relevante do estudo foi a capacidade da substância de atravessar a barreira hematoencefálica, que protege o cérebro, sem apresentar toxicidade, nem em testes de cultura celular nem nos experimentos com os animais.


O que é o Alzheimer?

O Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro que afeta progressivamente a memória e outras funções cognitivas. A causa exata ainda não é completamente compreendida, embora existam indícios de que fatores genéticos desempenham um papel importante no seu desenvolvimento.

Considerado o tipo mais comum de demência entre idosos, o Alzheimer responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Os primeiros sinais geralmente envolvem a perda de memória recente. Com o avanço da doença, outros sintomas se tornam mais evidentes, como dificuldades para recordar fatos antigos, confusão sobre horários e lugares, mudanças no comportamento e na comunicação.

A professora Giselle Cerchiaro, coordenadora do estudo, destacou a importância da descoberta, afirmando que a molécula desenvolvida é "extremamente simples, segura e eficaz, com um custo muito baixo, se comparado aos medicamentos existentes no mercado". Ela também ressaltou que, mesmo que a terapia funcione apenas em parte da população — dado que a doença é multifatorial —, o avanço representaria um grande progresso.

Como próximos passos, a equipe de pesquisadores está solicitando a patente do composto e já busca parcerias com empresas farmacêuticas para iniciar os testes clínicos em humanos.

Com a patente e as parcerias industriais, o próximo desafio será a transição para os ensaios clínicos em humanos, onde serão avaliadas a segurança, a eficácia em pessoas idosas e o impacto real do tratamento na progressão da doença.

O Alzheimer continua sendo um dos maiores desafios da medicina, em razão da sua complexidade e dos múltiplos fatores de risco envolvidos. Por isso, abordagens que atuam diretamente nos mecanismos centrais da doença, como o acúmulo de peptídeo amiloide ou a regulação dos metais cerebrais, são vistas com grande potencial terapêutico.

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