Lista Mundial da Perseguição aponta avanço da hostilidade contra cristãos em 34 anos
Relatório da Portas Abertas mostra aumento da perseguição extrema, com concentração na janela 10×40 e impacto de eventos históricos recentes.
Por Thais Cutrim
· 3 min de leitura
A Portas Abertas divulgou dados atualizados da Lista Mundial da Perseguição (LMP), estudo publicado desde 1993 que classifica os 50 países onde é mais arriscado ser cristão. Ao longo de 34 anos, os mapas e gráficos do relatório revelam crescimento expressivo da hostilidade religiosa, especialmente na África e na Ásia.
Segundo a organização, os mapas da LMP utilizam uma escala de cores para indicar o nível de perseguição: amarelo (perseguição alta), laranja (severa) e vermelho (extrema). A pontuação de cada país varia de 0 a 100 pontos, calculada a partir de questionários e análises feitas em três etapas. Quanto maior a pontuação, maior o grau de pressão e violência contra cristãos.
Tendência histórica
A análise histórica mostra que entre 1993 e 1999 houve aumento expressivo no número de cristãos perseguidos. De 1999 a 2006, registrou-se leve queda, mas ainda em patamar preocupante. Entre 2006 e 2010, os índices se mantiveram estáveis. A partir de 2011, no entanto, observa-se crescimento acentuado da perseguição, com protagonismo de países africanos e asiáticos.
Na edição de 2026, todos os países do Top 50 apresentam níveis classificados como severos ou extremos — tendência já observada desde 2021.
Impacto de eventos históricos
A evolução dos dados também reflete acontecimentos geopolíticos recentes. A Primavera Árabe, iniciada na Tunísia em 2011, influenciou a realidade de cristãos no Norte da África. A queda e morte de Muammar Kadafi impactaram diretamente a pontuação da Líbia na edição de 2013.
Já em 2015, a proclamação do califado pelo Estado Islâmico, com base no Iraque e na Síria, provocou avanço significativo da perseguição na África e na Ásia, com multiplicação de grupos extremistas.
Janela 10×40 concentra maioria dos casos
Grande parte dos países listados está localizada na chamada janela 10×40 — faixa geográfica entre as latitudes 10° e 40° ao norte da Linha do Equador, que se estende do Norte da África ao Leste Asiático. O conceito foi apresentado por Luis Bush durante a Segunda Conferência de Lausanne.
Dos 62 países originalmente identificados nessa região, 55 já figuraram na Lista Mundial da Perseguição entre 1993 e 2026. Entre eles estão nações como Afeganistão, Egito, Índia, China, Coreia do Norte e Mianmar.
Apesar da concentração histórica nessa faixa, o relatório aponta expansão da perseguição para fora da região, alcançando países da América Latina, como Cuba, México, Nicarágua e Colômbia, além de nações africanas como Camarões, República Democrática do Congo e Comores.
Credibilidade e monitoramento
A LMP é elaborada com a colaboração de analistas, pesquisadores e advogados em nível regional e internacional. O método de pontuação é validado pelo Instituto Internacional de Liberdade Religiosa (IIRF), o que, segundo a Portas Abertas, garante transparência e objetividade aos resultados.
Embora o ranking destaque os 50 países mais críticos, a organização monitora indicadores em outras nações. Em 2023, a pesquisa completou 30 anos de publicação contínua.
Os dados mais recentes reforçam uma tendência: a perseguição aos cristãos segue em crescimento global, com níveis cada vez mais intensos de pressão e violência em diversas regiões do mundo.
Segundo a organização, os mapas da LMP utilizam uma escala de cores para indicar o nível de perseguição: amarelo (perseguição alta), laranja (severa) e vermelho (extrema). A pontuação de cada país varia de 0 a 100 pontos, calculada a partir de questionários e análises feitas em três etapas. Quanto maior a pontuação, maior o grau de pressão e violência contra cristãos.
Tendência histórica
A análise histórica mostra que entre 1993 e 1999 houve aumento expressivo no número de cristãos perseguidos. De 1999 a 2006, registrou-se leve queda, mas ainda em patamar preocupante. Entre 2006 e 2010, os índices se mantiveram estáveis. A partir de 2011, no entanto, observa-se crescimento acentuado da perseguição, com protagonismo de países africanos e asiáticos.
Na edição de 2026, todos os países do Top 50 apresentam níveis classificados como severos ou extremos — tendência já observada desde 2021.
Impacto de eventos históricos
A evolução dos dados também reflete acontecimentos geopolíticos recentes. A Primavera Árabe, iniciada na Tunísia em 2011, influenciou a realidade de cristãos no Norte da África. A queda e morte de Muammar Kadafi impactaram diretamente a pontuação da Líbia na edição de 2013.
Já em 2015, a proclamação do califado pelo Estado Islâmico, com base no Iraque e na Síria, provocou avanço significativo da perseguição na África e na Ásia, com multiplicação de grupos extremistas.
Janela 10×40 concentra maioria dos casos
Grande parte dos países listados está localizada na chamada janela 10×40 — faixa geográfica entre as latitudes 10° e 40° ao norte da Linha do Equador, que se estende do Norte da África ao Leste Asiático. O conceito foi apresentado por Luis Bush durante a Segunda Conferência de Lausanne.
Dos 62 países originalmente identificados nessa região, 55 já figuraram na Lista Mundial da Perseguição entre 1993 e 2026. Entre eles estão nações como Afeganistão, Egito, Índia, China, Coreia do Norte e Mianmar.
Apesar da concentração histórica nessa faixa, o relatório aponta expansão da perseguição para fora da região, alcançando países da América Latina, como Cuba, México, Nicarágua e Colômbia, além de nações africanas como Camarões, República Democrática do Congo e Comores.
Credibilidade e monitoramento
A LMP é elaborada com a colaboração de analistas, pesquisadores e advogados em nível regional e internacional. O método de pontuação é validado pelo Instituto Internacional de Liberdade Religiosa (IIRF), o que, segundo a Portas Abertas, garante transparência e objetividade aos resultados.
Embora o ranking destaque os 50 países mais críticos, a organização monitora indicadores em outras nações. Em 2023, a pesquisa completou 30 anos de publicação contínua.
Os dados mais recentes reforçam uma tendência: a perseguição aos cristãos segue em crescimento global, com níveis cada vez mais intensos de pressão e violência em diversas regiões do mundo.