O Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em 2025, segundo levantamento exclusivo com dados enviados pelos governos estaduais ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça. O número representa uma média de 66 desaparecimentos de menores de 18 anos por dia em todo o país.
Em comparação com 2024, quando a média diária foi de 60 casos, houve um aumento de 8% nos registros. De acordo com a legislação brasileira, a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei nº 13.812/2019) define pessoa desaparecida como todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, independentemente da causa.
Os dados mostram que o problema afeta majoritariamente o sexo feminino: cerca de 61% dos desaparecidos em 2025 eram meninas (14.658 casos), enquanto 38% eram meninos (9.159). Em 102 registros, o sexo não foi informado.
Entre os casos que chamaram atenção recentemente está o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, ocorrido no dia 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. As buscas entraram na quarta semana e mobilizam forças de segurança e a comunidade local.
A força-tarefa conta com o apoio do protocolo Amber Alert, sistema acionado em situações de risco envolvendo crianças e adolescentes desaparecidos. Implementado no Brasil em 2023 pelo Ministério da Justiça, em parceria com a Meta, o alerta utiliza plataformas como Facebook e Instagram para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
Segundo a coordenação nacional da política de pessoas desaparecidas, os dados revelam desigualdades importantes, especialmente por gênero, mas ainda não permitem identificar as causas específicas dos desaparecimentos, devido à dificuldade de apuração qualitativa dos casos.
Entre os estados, as maiores taxas de desaparecimento de crianças e adolescentes por 100 mil habitantes foram registradas em Roraima, Rio Grande do Sul e Amapá. O estado de São Paulo concentra o maior número absoluto de registros, respondendo por cerca de 24% dos desaparecimentos no país.
Considerando todas as faixas etárias, o Brasil registrou mais de 84 mil pessoas desaparecidas em 2025, o maior número desde o início da série histórica em 2015, superando os índices do período pré-pandemia.
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