Histórias silenciosas de mulheres cristãs da Coreia do Norte continuam revelando a dura realidade enfrentada por milhares de refugiadas que vivem entre a perseguição religiosa, a separação familiar e a luta pela sobrevivência.
Uma dessas histórias é a de Kyung-hee, norte-coreana que fugiu do país após perder tudo e acreditar que encontraria trabalho na China. Ao atravessar o rio que divide os dois países, ela acabou vítima de tráfico humano e foi vendida como esposa para um homem desconhecido.
Sem documentos e sem falar o idioma, Kyung-hee passou meses tentando retornar para casa, onde havia deixado familiares e um noivo. Com o passar do tempo, ela aprendeu a língua chinesa e teve uma filha, Seo-yeon.
Após a morte do homem que a comprou, Kyung-hee foi expulsa da casa pelos sogros e separada da filha, que chegou a ser registrada como órfã para que os avós recebessem auxílio do governo chinês. Durante anos, a mãe foi impedida de reencontrar a criança e precisou procurar a filha em segredo.
Somente depois de um novo casamento, com um homem descrito como bondoso, Kyung-hee conseguiu voltar a ter contato com Seo-yeon, hoje com 17 anos. Mesmo assim, os encontros ainda acontecem de forma limitada e cercados de medo.
A refugiada também passou a participar de estudos bíblicos secretos organizados por parceiros da organização cristã Portas Abertas, que atua no apoio a cristãos perseguidos.
Segundo o relato, Kyung-hee conheceu a fé cristã há cerca de um ano e afirmou que um dos versículos que mais marcaram sua vida foi a passagem bíblica “Amem os seus inimigos”, do Evangelho de Mateus.
A história também destaca a realidade de milhares de mulheres norte-coreanas que vivem fora do país, principalmente na China, ainda sob risco de perseguição e obrigadas a praticar a fé de maneira clandestina.
De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026, a Coreia do Norte segue como o país onde os cristãos enfrentam os níveis mais extremos de perseguição religiosa no mundo.
Organizações de apoio pedem orações e proteção para refugiadas, mães separadas de seus filhos e parceiros que atuam secretamente no acolhimento e discipulado de cristãos norte-coreanos.