Mais de 50 cristãos foram presos desde janeiro de 2026 em áreas controladas pelos houthis no Iêmen, segundo relatos de organizações que acompanham a liberdade religiosa na região. O país é considerado atualmente o terceiro mais perigoso do mundo para cristãos, conforme a edição 2026 da Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela organização Portas Abertas.
Entre os detidos está o pai de uma jovem identificada apenas como Sanad (nome alterado por segurança). Após meses de detenção, ela recebeu autorização para uma breve visita na prisão, em encontro acompanhado por guardas e que durou apenas alguns minutos.
Segundo o relato compartilhado por parceiros locais da Portas Abertas, o homem apresentava sinais de cansaço e aparente fragilidade física, o que aumentou a preocupação da família.
Relatos de possível tortura
Familiares de outros cristãos presos também relataram que os detidos apresentavam aparência abatida, dificuldade de concentração e comportamento incomum. De acordo com os parceiros locais da organização, esses sintomas podem indicar interrogatórios severos ou possíveis episódios de tortura.
A situação tem provocado forte apreensão entre familiares, que enfrentam incerteza sobre o destino de seus parentes presos. Muitas famílias também lidam com dificuldades financeiras após a prisão dos principais provedores.
Novas prisões em fevereiro
Além das detenções registradas em janeiro, outros três cristãos foram presos no início de fevereiro em uma região fora do controle direto dos houthis. O episódio gerou ainda mais preocupação entre comunidades cristãs locais.
Por causa do conflito armado que afeta o país, algumas visitas às prisões foram canceladas por razões de segurança, o que agravou a angústia das famílias que aguardam notícias de parentes detidos.
Apoio entre igrejas e mobilização internacional
Mesmo diante da repressão, líderes cristãos no país têm buscado fortalecer redes de apoio entre igrejas, incluindo aqueles que foram forçados a deixar o país por causa da perseguição religiosa.
A organização Portas Abertas afirma manter contato constante com familiares dos detidos e prestar apoio às comunidades afetadas.
A situação também motivou mobilizações internacionais de oração, como o Domingo da Igreja Perseguida 2026, iniciativa que deve envolver milhares de igrejas em diversos países em apoio aos cristãos perseguidos no Oriente Médio e no Norte da África.