A gravidez na adolescência continua sendo um desafio para a saúde pública no Brasil, mesmo diante de uma leve redução nos números. Entre janeiro e agosto de 2025, o país registrou 168.713 nascimentos de bebês filhos de mães com idade entre 15 e 19 anos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde. No mesmo período de 2024, foram contabilizados 179.428 nascimentos, chegando a 261.206 ao final do ano.
No Maranhão, os dados também indicam queda. De janeiro a agosto de 2025, foram registrados 10.023 nascidos vivos de mães adolescentes, contra 11.086 no mesmo intervalo do ano anterior.
Para reforçar ações de conscientização e prevenção, o governo instituiu a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, realizada anualmente na primeira semana de fevereiro, entre os dias 1º e 8. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e incentivar práticas seguras entre adolescentes e jovens.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gestação na adolescência está associada a maiores riscos de complicações para a mãe e o bebê, além de agravar vulnerabilidades sociais e econômicas. A pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), dra. Mariana Grigoletto, alerta que adolescentes têm maior risco de mortalidade materna, enquanto os bebês estão mais suscetíveis a anomalias congênitas, parto prematuro, asfixia e paralisia cerebral.
Além dos impactos à saúde, a gravidez precoce pode comprometer a trajetória educacional das jovens, dificultar o acesso ao mercado de trabalho e reforçar ciclos de desigualdade social. Problemas como falta de rede de apoio, abandono escolar, violência intrafamiliar e ausência de corresponsabilização do pai também estão frequentemente associados a esses casos.
A especialista destaca ainda os efeitos sobre a saúde mental das adolescentes, que podem enfrentar insegurança, ansiedade e depressão pós-parto. Segundo ela, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante assistência psicológica antes, durante e após a gestação, desde o pré-natal, conforme a legislação vigente.
No debate sobre prevenção, a médica defende a responsabilidade compartilhada entre meninas e meninos e recomenda a chamada prevenção dupla: o uso do preservativo aliado a métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, como o DIU e os implantes subdérmicos. “Esses métodos oferecem alta eficácia e ajudam a evitar tanto a gravidez não planejada quanto as infecções sexualmente transmissíveis”, conclui.