Uma reportagem do portal Metrópoles revelou novos desdobramentos na crise do transporte público de São Luís, envolvendo o grupo Expresso Rei de França. A empresa é acusada de transferir ao menos R$ 1,6 milhão, oriundos de subsídios pagos pela Prefeitura de São Luís, para a mineradora Goldcoltan.
De acordo com a denúncia, a mineradora pertence ao empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como PP, que também atua como vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET). A entidade é responsável pela gestão da arrecadação tarifária e distribuição de recursos entre as empresas do sistema.
O caso ocorre em meio à grave crise financeira do grupo, que acumula cerca de R$ 177 milhões em dívidas e está em recuperação judicial. Trabalhadores enfrentam atrasos salariais, falta de recolhimento do FGTS e ausência de benefícios básicos.
A investigação aponta ainda uma rede de empresas ligadas à família do empresário. A própria Expresso Rei de França está registrada em nome de sua filha, enquanto outras empresas, incluindo a Goldcoltan, também aparecem vinculadas a familiares.
Os repasses chamaram a atenção de credores por terem ocorrido mesmo após bloqueios judiciais nas contas das empresas de ônibus, levantando suspeitas de blindagem patrimonial para evitar cobranças.
A advogada do grupo, Evelline Freitas, confirmou a existência de transferências, afirmando que a estratégia foi adotada para garantir a continuidade das operações diante das restrições financeiras. Segundo ela, os recursos eram centralizados em contas ligadas à mineradora para custear despesas operacionais.
No entanto, a reportagem identificou movimentações sem explicação detalhada, incluindo transferências via Pix com descrições que sugerem despesas pessoais do empresário. A defesa informou que eventuais esclarecimentos poderão ser prestados posteriormente.
O caso intensifica a crise no sistema de transporte da capital maranhense, que já enfrenta paralisações, disputas judiciais e críticas da população, além de levantar questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos destinados ao setor.