Os rodoviários do sistema de transporte urbano de São Luís iniciaram uma paralisação na manhã desta sexta-feira (13) devido ao atraso no pagamento do reajuste salarial da categoria. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema). Até o momento, não há previsão para a normalização do serviço.
Com a paralisação, ônibus do sistema urbano não saíram das garagens em vários pontos da cidade, afetando milhares de passageiros que dependem do transporte público para se deslocar. Em uma das empresas do sistema, cerca de 300 trabalhadores deixaram de trabalhar, mantendo os coletivos parados.
Enquanto isso, o sistema semiurbano — que atende os municípios de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar — continua operando, porém sem acessar o Terminal da Cohab.
Segundo o sindicato, entre 4,5 mil e 5 mil trabalhadores atuam atualmente no transporte público da Grande São Luís. A categoria afirma que a paralisação ocorre porque empresas não cumpriram decisão da Justiça do Trabalho que determinou a implantação do reajuste salarial e benefícios aos rodoviários.
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes de São Luís (SMTT) informou que os repasses de subsídios às empresas estão sendo feitos regularmente e que a responsabilidade pelo não pagamento do reajuste é das concessionárias. A prefeitura também anunciou medidas emergenciais, como a liberação de vouchers para uso em aplicativos de transporte enquanto o serviço estiver comprometido.
O prefeito Eduardo Braide afirmou que há possível motivação política por trás da paralisação e destacou que o município mantém os pagamentos às empresas em dia.
A paralisação acontece em meio a uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Maranhão, que apura falhas na prestação do serviço, paralisações frequentes e possíveis irregularidades na gestão do sistema de transporte coletivo da capital.
Nos últimos seis anos, São Luís registrou ao menos dez paralisações no transporte público. Em 2022, a cidade enfrentou a maior greve do período, que durou 43 dias. A última paralisação havia ocorrido no início deste ano e se estendeu por oito dias, sendo encerrada após acordo mediado pelo Ministério Público para pagamento de salários atrasados.
Passageiros relatam dificuldades para chegar ao trabalho e enfrentam ônibus lotados e demora na chegada dos coletivos que ainda circulam na cidade. O sindicato afirma que permanece aberto ao diálogo, mas cobra uma solução imediata das empresas para garantir o cumprimento dos direitos dos trabalhadores.