Netanyahu enfrenta plano de Trump e descarta retirada de Gaza antes de desarmamento do Hamas
Primeiro-ministro israelense rejeitou o documento de 15 pontos apoiado pelos Estados Unidos e afirmou que tropas permanecerão no território até que o grupo palestino entregue todas as armas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo (9) o atual roteiro de 15 pontos apoiado pelo governo do presidente americano Donald Trump para avançar no processo de paz na Faixa de Gaza. Segundo o premiê, as forças israelenses não deixarão o território enquanto o Hamas não estiver efetivamente desarmado.
A posição foi apresentada durante uma reunião do gabinete israelense e cria um novo obstáculo para o avanço da próxima etapa do acordo. O plano prevê, entre outros pontos, o desarmamento do Hamas, uma retirada gradual das forças israelenses e a participação de uma força internacional de estabilização ao lado de uma nova polícia palestina.
Netanyahu afirmou que Israel não aceita o documento nos termos atuais e deixou claro que qualquer retirada dependerá primeiro de um desarmamento considerado verdadeiro pelo governo israelense, abrangendo desde armamentos pesados até armas de menor porte.
Apesar da rejeição, Netanyahu afirmou que as discussões com os Estados Unidos continuam. Segundo o primeiro-ministro, existem pontos da proposta considerados aceitáveis por Israel e outros aos quais o governo pretende resistir.
Impasse sobre a ordem das medidas
O principal ponto de divergência envolve a sequência das obrigações previstas no acordo.
O roteiro anunciado por Trump estabelece uma retirada israelense paralela ao processo de desarmamento do Hamas. O enviado do Conselho de Paz para Gaza, Nikolay Mladenov, afirmou que a retirada ocorreria por setores conforme as armas do grupo fossem entregues e inutilizadas.
O Hamas, por sua vez, afirma permanecer comprometido com o roteiro acertado no Cairo. O grupo evita utilizar diretamente o termo “desarmamento” e diz ter concordado em entregar suas armas para armazenamento sob uma administração palestina tecnocrática apoiada pelos Estados Unidos e supervisionada pelo chamado Conselho de Paz.
A organização palestina sustenta, entretanto, que a implementação também depende do cumprimento das obrigações de Israel, incluindo retirada das tropas e interrupção dos ataques.
A divergência coloca em risco o avanço da nova etapa do processo conduzido por Washington.
Netanyahu também endurece discurso contra o Irã
Durante a mesma reunião de gabinete, Netanyahu voltou a afirmar que Israel não permitirá que o Irã desenvolva armas nucleares, independentemente do resultado das negociações diplomáticas envolvendo Teerã e Washington.
As declarações ocorrem em um momento de forte tensão no Oriente Médio, com negociações envolvendo também a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz.
O governo iraniano informou neste domingo que um acordo com Omã para definir novas rotas de navegação no estreito está em seus “estágios finais”. Teerã, porém, afirma que a passagem só será plenamente reaberta depois que os Estados Unidos atenderem a outras exigências.
Antes do bloqueio iraniano, aproximadamente um quinto das remessas mundiais de petróleo e gás natural liquefeito atravessava o Estreito de Ormuz, tornando a passagem uma das rotas energéticas mais importantes do planeta.
Entre as condições apresentadas pelo Irã estão compensações pelos ataques sofridos, retirada de sanções e bloqueios e o fim de ameaças e ações militares contra o país e seus aliados na região.
Houthis reivindicam ataque contra refinaria saudita
A tensão regional também atingiu a Arábia Saudita neste domingo.
Os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen, afirmaram ter realizado um ataque com drone contra a refinaria da Saudi Aramco em Jazan, no sudoeste do país.
O Ministério da Energia saudita confirmou que houve um incêndio na instalação e informou que as chamas foram controladas sem registro de feridos. As autoridades sauditas não atribuíram oficialmente a causa do incêndio.
A refinaria de Jazan possui capacidade para processar cerca de 400 mil barris de petróleo por dia. Os houthis também anunciaram ataques contra a cidade portuária de Mocha, no Iêmen, episódio que deixou sete mortos segundo autoridades militares iemenitas.
Os acontecimentos ampliam a pressão sobre as negociações conduzidas pelos Estados Unidos em diferentes frentes no Oriente Médio, enquanto o impasse entre Israel e Hamas continua sendo um dos principais obstáculos para a estabilização da região.
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