O general Augusto Heleno, após ser ordenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cumprir pena por sua relação com a trama golpista, revelou em comunicado ao Exército que foi diagnosticado com Alzheimer em 2018. O anúncio foi feito após um exame médico realizado na terça-feira (25/11) no Comando Militar do Planalto, em Brasília. O objetivo do exame foi avaliar o estado geral de saúde e a integridade física do militar.
Este comunicado gerou dúvidas sobre como o Alzheimer avança ao longo do tempo e sobre a situação atual de Heleno, uma vez que a doença, neurodegenerativa e progressiva, afeta principalmente a memória recente e diminui gradualmente a autonomia do paciente.
Como a doença se desenvolve?
De acordo com o geriatra Natan Chehter, o Alzheimer tem um início gradual, com os primeiros estágios podendo durar de cinco a dez anos. "A fase leve pode durar entre cinco e dez anos", afirma Chehter. No entanto, a velocidade de progressão pode variar de pessoa para pessoa. "Fatores como genética, hábitos de vida, controle de doenças associadas e o acompanhamento médico adequado podem influenciar o ritmo da doença", acrescenta.
Após cerca de sete anos de evolução, é comum que o paciente atinja a fase intermediária. O neurologista Flávio Sekeff Sallem, do Hospital Japonês Santa Cruz, explica que nesse estágio as perdas cognitivas tornam-se mais evidentes. "Neste momento, é possível notar a dificuldade em realizar tarefas complexas, organizar rotinas e manter alguma autonomia, embora muitas pessoas ainda consigam participar de conversas, reconhecer familiares e expressar suas opiniões", esclarece.
Como os médicos acompanham a evolução?
A avaliação da doença vai além dos exames médicos. Segundo Chehter, testes cognitivos são fundamentais para identificar o estágio da doença e orientar o tratamento. "Os exames são mais úteis para o diagnóstico inicial", afirma. Por isso, os médicos avaliam a memória, a linguagem, a atenção e a capacidade organizacional dos pacientes durante as consultas. Quando necessário, testes neuropsicológicos mais detalhados podem ser realizados para um diagnóstico mais preciso.
Divisão das fases do Alzheimer
De maneira geral, o Alzheimer pode ser dividido em três fases principais:
- Fase leve: caracteriza-se por esquecimentos recentes, repetição de perguntas, pequenas dificuldades de organização e início da perda de autonomia.
- Fase moderada: piora da memória, episódios de desorientação, alterações no comportamento e crescente dependência.
- Fase grave: limitações severas na comunicação, grande perda de memória, dificuldades de locomoção e a necessidade de cuidados integrais.
A situação no Brasil
O Alzheimer é a forma mais comum de demência no Brasil e sua progressão é contínua, embora o ritmo de avanço possa variar significativamente entre os pacientes. Para especialistas, sete anos após o diagnóstico marca a fase intermediária, com perdas cognitivas mais evidentes. A progressão deve ser constantemente monitorada para uma avaliação individualizada e ajustes no tratamento.