A Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026 revela que mais de 388 milhões de cristãos enfrentam perseguição e discriminação por causa da fé em todo o mundo. O levantamento destaca os 50 países onde a prática do cristianismo é mais restrita, com foco especial nas dez nações consideradas mais perigosas para seguidores da religião.
No topo do ranking está a Coreia do Norte, apontada como o país mais hostil aos cristãos. No regime norte-coreano, a descoberta da fé pode resultar em execução imediata ou prisão perpétua em campos de trabalho forçado. A chamada “lei do pensamento antirreacionário”, adotada em 2020, intensificou a repressão, inclusive contra a posse de Bíblias.
Em segundo lugar aparece a Somália, onde a conversão ao cristianismo é considerada traição ao clã e pode ser punida com morte. O grupo extremista Al-Shabaab atua para erradicar a presença cristã no país.
O Iêmen ocupa a terceira posição. No país, deixar o islã para seguir o cristianismo é crime capital. A igreja atua de forma totalmente clandestina, em meio à guerra civil e à negação de ajuda humanitária a não muçulmanos.
Na quarta posição está o Sudão, onde a guerra civil iniciada em 2023 e o retorno de leis baseadas na sharia resultaram em bombardeios e confisco de igrejas.
A Eritreia aparece em quinto lugar. O governo reconhece apenas quatro grupos religiosos, tornando ilegal qualquer outra expressão de fé. Cristãos podem ser presos sem julgamento e mantidos em locais desconhecidos.
A Síria ocupa a sexta posição após a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, e a ascensão do grupo extremista Hayat Tahrir al-Sham. A instabilidade resultou em ataques fatais contra igrejas.
Na sétima colocação está a Nigéria, considerada o país mais violento para cristãos. Grupos como Boko Haram e ISWAP promovem ataques, sequestros e assassinatos, especialmente no Norte, onde vigora a sharia em parte dos estados.
O Paquistão aparece em oitavo lugar. Leis de blasfêmia são frequentemente usadas para acusar cristãos, gerando linchamentos e ataques. Há também registros de sequestro e conversão forçada de meninas cristãs.
A Líbia ocupa a nona posição. A ausência de um governo central fortalece grupos extremistas e redes criminosas, tornando cristãos alvos de sequestro, tráfico humano e trabalho forçado.
Fechando a lista dos dez países mais críticos está o Irã, onde o cristianismo é visto como ameaça à segurança nacional. A conversão do islã é crime e pode levar a longas penas de prisão e tortura.
Segundo o relatório, apesar dos altos níveis de perseguição, comunidades cristãs continuam existindo e se reunindo, muitas vezes de forma clandestina. O levantamento reforça que, por trás dos números, há histórias de famílias, igrejas e indivíduos que vivem sob risco constante, mas mantêm a fé mesmo diante da violência e da repressão.