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Empresa de ônibus é acusada de desviar R$ 1,6 milhão e levanta suspeita de blindagem patrimonial em São Luís
Recursos públicos teriam sido transferidos para mineradora ligada ao próprio controlador do grupo.
Por Thais Cutrim
20 de Março de 2026 às 15:30
Uma reportagem do portal Metrópoles revelou novos desdobramentos na crise do transporte público de São Luís, envolvendo o grupo Expresso Rei de França. A empresa é acusada de transferir ao menos R$ 1,6 milhão, oriundos de subsídios pagos pela Prefeitura de São Luís, para a mineradora Goldcoltan.
De acordo com a denúncia, a mineradora pertence ao empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como PP, que também atua como vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET). A entidade é responsável pela gestão da arrecadação tarifária e distribuição de recursos entre as empresas do sistema.
O caso ocorre em meio à grave crise financeira do grupo, que acumula cerca de R$ 177 milhões em dívidas e está em recuperação judicial. Trabalhadores enfrentam atrasos salariais, falta de recolhimento do FGTS e ausência de benefícios básicos.
A investigação aponta ainda uma rede de empresas ligadas à família do empresário. A própria Expresso Rei de França está registrada em nome de sua filha, enquanto outras empresas, incluindo a Goldcoltan, também aparecem vinculadas a familiares.
Os repasses chamaram a atenção de credores por terem ocorrido mesmo após bloqueios judiciais nas contas das empresas de ônibus, levantando suspeitas de blindagem patrimonial para evitar cobranças.
A advogada do grupo, Evelline Freitas, confirmou a existência de transferências, afirmando que a estratégia foi adotada para garantir a continuidade das operações diante das restrições financeiras. Segundo ela, os recursos eram centralizados em contas ligadas à mineradora para custear despesas operacionais.
No entanto, a reportagem identificou movimentações sem explicação detalhada, incluindo transferências via Pix com descrições que sugerem despesas pessoais do empresário. A defesa informou que eventuais esclarecimentos poderão ser prestados posteriormente.
O caso intensifica a crise no sistema de transporte da capital maranhense, que já enfrenta paralisações, disputas judiciais e críticas da população, além de levantar questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos destinados ao setor.
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