Após um início de ano de crescimento, o comércio varejista do Maranhão registrou desaceleração em abril e acompanhou a tendência observada em todo o país. Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, apontam que o volume de vendas no estado recuou 1,7% em relação a março, resultado próximo ao registrado nacionalmente, que apresentou queda de 1,5%.
Apesar do desempenho negativo no comparativo mensal, o setor ainda se mantém acima dos níveis do ano passado. Em relação a abril de 2025, o varejo maranhense avançou 0,6%, enquanto o varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos, motocicletas e materiais de construção, cresceu 6%, superando a média nacional.
No Brasil, abril representou o pior resultado do comércio desde junho de 2022. A retração interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de alta e deixou o setor operando 1,5% abaixo do maior nível da série histórica, registrado em março.
Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio-MA), a desaceleração reflete uma acomodação natural após meses de expansão e não indica uma reversão da trajetória de crescimento ao longo de 2026.
Entre os fatores que limitam o avanço das vendas estão os juros elevados e o aumento do endividamento das famílias. Levantamento da Fecomércio-MA revelou que 82,6% das famílias de São Luís estavam endividadas em maio, o maior percentual desde 2021. Além disso, quase 30% da renda mensal está comprometida com o pagamento de dívidas.
Mesmo diante desse cenário, indicadores apontam que o consumo segue aquecido. Uma pesquisa da entidade estimou que o Dia das Mães movimentou cerca de R$ 141 milhões no comércio da capital maranhense.
No cenário nacional, a principal influência negativa veio do setor de combustíveis e lubrificantes, que registrou queda de 6,2% nas vendas, impactado pela alta dos preços internacionais diante das tensões no Oriente Médio.
Por outro lado, segmentos como supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas apresentaram crescimento de 1,3%, enquanto o setor de livros, jornais e papelaria avançou 1,1%.
A expectativa para os próximos meses permanece moderadamente positiva, sustentada pela geração de empregos, pelo aumento da renda e pelas datas comemorativas que tradicionalmente impulsionam o comércio. No entanto, o desempenho do setor continuará dependente da evolução dos juros, da oferta de crédito e da capacidade financeira das famílias.