Flávio Bolsonaro fecha chapa com Alfredo Gaspar e inicia nova etapa da campanha
Escolha reforça as bandeiras de segurança pública e combate à corrupção, mas a chapa formada apenas pelo PL terá menos tempo de propaganda eleitoral do que a coligação de Lula.
A definição do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente encerrou uma das principais pendências da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com a chapa formada, a coordenação deverá agora concentrar os esforços na organização das viagens, na estratégia eleitoral e na participação de Gaspar durante a disputa pelo Palácio do Planalto.
A escolha ocorreu depois de semanas de tentativas para atrair partidos do Centrão e ampliar a coligação. As articulações com Republicanos, Podemos e União Progressista, federação composta por União Brasil e PP, não avançaram. Com isso, Flávio e Gaspar disputarão a eleição em uma chapa formada exclusivamente por integrantes do PL.
A pré-campanha também atravessou desgastes relacionados à crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e às repercussões envolvendo a relação do senador com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Aliados afirmam que a prioridade, a partir de agora, é superar esses episódios e ampliar a presença dos candidatos nas ruas.
Segurança pública ganha espaço central
Segundo interlocutores da campanha, a segurança pública continuará entre as principais bandeiras da candidatura. A entrada de Alfredo Gaspar é vista como uma forma de fortalecer esse discurso.
O deputado já atuou como promotor de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas. Ele também ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS, responsável por investigar irregularidades envolvendo descontos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
Aliados consideram que essa trajetória permitirá que Gaspar tenha participação ativa nos debates sobre criminalidade, organizações criminosas e políticas de segurança.
A campanha também pretende ampliar o discurso de combate à corrupção. No anúncio do vice, Flávio destacou a atuação de Gaspar na CPMI do INSS e o pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, apresentado no relatório final da comissão.
A estratégia deverá ser utilizada para reforçar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mobilizar o eleitorado antipetista. As menções ao filho do presidente devem ser apresentadas sempre como parte do relatório e das investigações, sem tratá-las como condenação definitiva.
Escolha surpreendeu integrantes do partido
A indicação de Alfredo Gaspar surpreendeu parte da própria campanha, já que o parlamentar vinha se preparando para disputar uma vaga no Senado.
Integrantes do PL esperavam que Flávio escolhesse uma mulher para a vice-presidência, estratégia que vinha sendo defendida desde o início da pré-campanha como uma forma de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.
Durante as articulações, foram considerados nomes como os da senadora Tereza Cristina, da ex-presidente da Caixa Daniella Marques e da deputada Renata Abreu.
Depois que as negociações com outras legendas não avançaram, também foram discutidos nomes do próprio PL, como as deputadas Priscila Costa e Bia Kicis, além de Michelle Bolsonaro.
Na véspera do anúncio, o coordenador da campanha, Rogério Marinho, entrou em contato com algumas parlamentares para verificar se aceitariam um eventual convite.
Michelle também foi procurada em uma articulação que envolveu o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A ex-primeira-dama, entretanto, recusou a possibilidade por entender que Jair Bolsonaro preferia mantê-la na disputa pelo Senado.
Desempenho entre as mulheres preocupa a campanha
A escolha de Gaspar frustrou integrantes do partido que defendiam uma candidata a vice como forma de reduzir a distância de Flávio entre as eleitoras.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto, Lula apareceu com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registrou 30%. Entre as mulheres, o presidente alcançou 38%, contra 26% do senador. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto e possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Chapa do PL terá menos tempo de propaganda
A ausência de alianças também terá impacto sobre o espaço de Flávio no horário eleitoral gratuito.
Uma projeção baseada na representação dos partidos na Câmara aponta que Lula poderá ter aproximadamente 5 minutos e 32 segundos em cada bloco destinado aos candidatos à Presidência. Flávio teria 4 minutos e 20 segundos.
Ronaldo Caiado ficaria com 2 minutos e 2 segundos, enquanto Augusto Cury teria 36 segundos. Esses números ainda não representam a divisão oficial, que somente será apresentada pela Justiça Eleitoral depois do registro das candidaturas.
Pelas regras eleitorais, 10% do horário são divididos igualmente entre os candidatos com direito à propaganda, enquanto 90% são distribuídos proporcionalmente à representação dos partidos na Câmara dos Deputados. Para presidente, os programas serão apresentados às terças, quintas e sábados, em dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos.
Além dos blocos, haverá inserções de 30 ou 60 segundos exibidas ao longo da programação das emissoras. Pela mesma projeção, Lula teria aproximadamente 6 minutos e 11 segundos de inserções diárias, enquanto Flávio contaria com 4 minutos e 51 segundos. Caiado teria 2 minutos e 17 segundos e Augusto Cury, 40 segundos.
O horário eleitoral gratuito do primeiro turno será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro. O prazo para o registro das candidaturas termina em 15 de agosto.
Até lá, a campanha pretende definir as primeiras viagens conjuntas, o papel de Gaspar nos eventos e as propostas que formarão o programa de governo.
Com informações do Metrópoles, Reuters e Tribunal Superior Eleitoral.
Usamos cookies essenciais para o funcionamento do site e cookies não essenciais para análise e melhorias. Você pode aceitar ou recusar o uso de cookies não essenciais.