O governo dos Estados Unidos deve anunciar nesta quarta-feira (15) a decisão sobre a proposta de aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que avalia supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
Nos últimos dias, representantes dos governos brasileiro e norte-americano intensificaram as negociações para tentar evitar a adoção da sobretaxa. O Palácio do Planalto mantém o diálogo com as autoridades dos EUA e afirma que as justificativas apresentadas para a investigação não se sustentam, defendendo uma solução negociada para preservar as relações comerciais entre os dois países.
Caso a tarifa seja confirmada, o governo brasileiro avalia recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao Brasil adotar medidas comerciais equivalentes em resposta a barreiras impostas por outros países. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, essa possibilidade permanece em análise caso não haja acordo entre as partes.
A proposta dos Estados Unidos prevê uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, com exceção de mercadorias classificadas como sujeitas às tarifas de segurança nacional. Entre os argumentos apresentados pelo USTR estão questionamentos relacionados ao sistema de pagamentos Pix, acordos comerciais firmados pelo Brasil, políticas para o etanol, proteção à propriedade intelectual, fiscalização ambiental e outras práticas comerciais.
A expectativa é de que a decisão tenha impacto direto sobre as exportações brasileiras para o mercado norte-americano, especialmente em setores industriais e do agronegócio. Enquanto aguarda o anúncio oficial, o governo brasileiro segue apostando na negociação para evitar prejuízos ao comércio bilateral e reduzir os impactos econômicos para empresas exportadoras.