O Tribunal do Júri condenou o policial militar reformado Francisco da Silva Sousa a 35 anos e quatro meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por envolvimento em uma emboscada que resultou na morte de um ambientalista e na tentativa de homicídio de sua companheira. A decisão foi proferida pelo juiz Philipe Silveira Carneiro da Cunha, que também determinou a execução imediata da pena. O condenado deixou o plenário sob custódia.
O réu foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e posse ilegal de arma de fogo. Segundo a denúncia, o ataque ocorreu em agosto de 2015, na Fazenda Santa Bárbara, na zona rural da comunidade Rio das Onças II, e teria sido planejado em conjunto com o fazendeiro José Escórcio de Cerqueira, que morreu no decorrer do processo e teve a punibilidade extinta.
As investigações apontaram que o crime foi motivado por conflitos relacionados à disputa de terras e à exploração ilegal de madeira na Reserva Biológica do Gurupi, área de proteção ambiental na Amazônia maranhense.
Na ocasião, o casal de ambientalistas Raimundo dos Santos Rodrigues e Maria da Conceição Chaves Lima foi surpreendido em uma estrada vicinal. Raimundo foi morto com disparos de arma de fogo e golpes de facão e madeira. Maria da Conceição também foi baleada, mas conseguiu sobreviver após fugir do local. Devido à gravidade do caso, ela foi incluída em um programa federal de proteção a vítimas e testemunhas.
O julgamento encerra um processo que se estendeu por mais de uma década, marcado por entraves judiciais, disputas de competência entre as esferas estadual e federal, além de dificuldades logísticas na região. Ao fixar a pena, o magistrado destacou a brutalidade do crime, a frieza do réu e os impactos psicológicos permanentes causados à sobrevivente.