MPMA denuncia 10 investigados por esquema de desvio de R$ 9,6 milhões em recursos públicos no Maranhão
Operação Benedictio aponta atuação de organização criminosa formada por dirigentes de instituto, empresários, vereadores e integrantes de facção criminosa.
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) denunciou 10 pessoas investigadas na Operação Benedictio por suposto envolvimento em um esquema de desvio de aproximadamente R$ 9,6 milhões em recursos públicos destinados a projetos sociais financiados por convênios e emendas parlamentares. Os acusados respondem pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de capitais.
As investigações começaram após a identificação de irregularidades na prestação de contas do Instituto Sê Tu Uma Bênção e resultaram na operação deflagrada em 15 de junho. Segundo o MPMA, o grupo utilizava empresas de fachada, documentos fiscais e contábeis falsificados e movimentações financeiras para ocultar a origem do dinheiro desviado.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em 12 endereços. Quatro pessoas foram presas, entre elas a presidente do instituto, Lucivânia Silva Alves Siqueira. Também foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos, dinheiro em espécie, joias e veículos de luxo.
Na residência do vereador Beto Castro, os investigadores encontraram mais de R$ 315 mil em dinheiro. Ao todo, a operação apreendeu R$ 2,14 milhões em bens e valores, além do bloqueio judicial de outros R$ 1,17 milhão pertencentes aos investigados. De acordo com a denúncia, a organização criminosa era dividida em quatro núcleos: institucional, empresarial e contábil, político e armado. O MPMA afirma que vereadores direcionavam emendas parlamentares ao instituto e, posteriormente, recebiam vantagens indevidas com os recursos desviados. As investigações também apontam que parte do dinheiro teria sido usada para financiar uma rede de proteção armada ligada à facção Primeiro Comando do Maranhão (PCM), com o objetivo de garantir o funcionamento do esquema e intimidar testemunhas e moradores das comunidades atendidas pela entidade.
O caso segue em tramitação na Justiça, e os denunciados terão direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo.
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