Uma sessão do Supremo Tribunal Federal marcada para discutir os desdobramentos do caso Banco Master terminou em forte tensão entre ministros nesta terça-feira (15).
O principal embate ocorreu entre Gilmar Mendes e André Mendonça, depois que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou ter mantido relação de proximidade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Ao reagir à fala de Mendonça sobre o procurador-geral, Gilmar saiu em defesa de Gonet e acusou o colega de agir com “leviandade” e “desfaçatez”. Mendonça respondeu elevando o tom e exigindo respeito durante a sessão.
Em determinado momento, Gilmar respondeu ao colega com a expressão “pode chorar”, enquanto Mendonça insistiu que fosse tratado com respeito. O episódio ocorreu diante dos demais integrantes da Corte e ampliou o clima de confronto que já marcava o julgamento.
Gonet nega proximidade com Vorcaro
Antes da discussão entre os ministros, Paulo Gonet havia afirmado que não manteve relacionamento próximo com Daniel Vorcaro.
O procurador-geral também defendeu a atuação do Ministério Público Federal nas investigações relacionadas ao Banco Master, sustentando que o órgão atuou em favor do esclarecimento dos fatos.
André Mendonça declarou posteriormente que não estava fazendo um juízo de valor sobre Gonet e afirmou considerar as informações relacionadas ao procurador-geral diferentes, em termos de relevância, das demais discutidas no processo.
Foi nesse momento que Gilmar Mendes interrompeu o colega e passou a criticar sua postura.
Dino pede vista após discussão
Depois dos embates, o ministro Flávio Dino pediu vista do processo, interrompendo o julgamento.
O pedido dá ao ministro mais tempo para analisar o caso antes de devolver o processo ao plenário. Pelas regras do STF, o prazo pode chegar a 90 dias.
Antes do pedido de vista, Dino defendia que as situações envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem analisadas conjuntamente.
Com a retirada temporária de seu voto, o placar provisório terminou em 4 a 3 pela manutenção das análises separadas. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação; Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin defenderam a análise conjunta.
Fux também entra em discussão
Outro momento de tensão ocorreu quando Flávio Dino fez referência a mensagens relacionadas a outros ministros no material obtido a partir do celular de Vorcaro.
Luiz Fux reagiu imediatamente e afirmou que não havia mensagens trocadas por ele com o ex-banqueiro.
Dino respondeu que existiam referências ao nome de Fux nos materiais, enquanto o ministro insistiu que nunca havia mantido relação com Vorcaro.
Até o momento, a existência de menções a determinado ministro em mensagens de terceiros não significa, por si só, que tenha havido contato direto, favorecimento ou irregularidade.
Entenda a origem da crise
A tensão dentro do Supremo aumentou depois que André Mendonça retirou o sigilo de relatórios parciais relacionados à Operação Compliance Zero, que investiga Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Um dos relatórios apresenta 52 mensagens que investigadores afirmam terem sido enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes entre 2023 e novembro de 2025.
Segundo o material, Vorcaro aparenta ter encaminhado a Moraes informações relacionadas a um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma possível operação policial contra ele.
Os investigadores informaram que as respostas do interlocutor não foram recuperadas.
Moraes nega ter cometido irregularidades e classificou o relatório como ilegal e inconstitucional.
A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, questionou a validade do relatório e sustentou que a investigação teria avançado sobre um ministro do Supremo sem que a Presidência da Corte ou o plenário fossem previamente informados.
Julgamento segue sem conclusão
A sessão desta terça-feira terminou sem uma decisão definitiva sobre a forma como os procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça deverão tramitar.
Com o pedido de vista de Flávio Dino, a análise fica suspensa até que o ministro devolva o processo ao plenário.
Enquanto isso, permanecem abertas as discussões sobre os relatórios da Polícia Federal, a atuação dos ministros envolvidos e os procedimentos adotados na investigação do Banco Master.
Com informações da Agência Brasil, UOL, CNN Brasil e demais fontes públicas consultadas.
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