Uma família cristã foi impedida de enterrar o próprio filho na comunidade indígena de Kapena, no distrito de Nabarangpur, no estado de Odisha, na Índia. O caso aconteceu no dia 14 de fevereiro e é mais um episódio de tensão religiosa na região.
O adolescente morreu após uma longa enfermidade. Segundo o pai, Krutibas Santa, a família tentou realizar o sepultamento no cemitério comum da aldeia, já que não há um espaço separado para cristãos. No entanto, moradores impediram o acesso ao local.
Diante da resistência, o pai decidiu enterrar o filho em um terreno da própria família, mas também foi impedido por parentes que não são cristãos. Após cerca de 20 horas de impasse e sofrimento, a situação só foi resolvida com a intervenção da administração distrital e da polícia, permitindo o sepultamento na propriedade da família.
Mesmo assim, um acordo foi imposto: Krutibas precisou assinar uma declaração comprometendo-se a não colocar símbolos cristãos na lápide do filho. A família também relatou ter sido pressionada a renunciar à fé cristã, mas recusou.
Líderes cristãos classificaram o episódio como inconstitucional e uma violação da liberdade religiosa. Autoridades locais informaram que reuniões de paz foram realizadas para evitar novos conflitos, e policiais permanecem na aldeia para prevenir confrontos.
De acordo com parceiros locais da organização Portas Abertas, cerca de 30 famílias cristãs vivem na comunidade. Em janeiro, um grupo de extremistas hindus teria invadido a igreja local, forçado fiéis a renunciarem à fé e fechado o templo, que permanece trancado.
O caso reforça denúncias de perseguição religiosa enfrentada por cristãos em diversas regiões da Índia.